04 MaioViagem Etérica ao Egito (Parte III)

Imediatamente senti uma ferragem na minha boca me puxando para baixo. Um movimento que lembrava uma ordem para o animal ajoelhar e associei que era para descer a fenda.

– Hummm! Ir para baixo! Entendi. E respondi em voz alta.

Pirâmide de Sakara

Pirâmide de Sakara

Porque para descer eu tinha que primeiro virar meu corpo à direita. Olhei onde poderia colocar o pé direito e o assentei em uma raiz de grosso rizoma da planta jibóia. Apoiei meu pé ali e senti que meu corpo estava leve, muito leve.

Aquela fenda dava num poço redondo igualzinho aos fossos que os egípcios, no tempo dos Faraós, usavam para medir o nível do Rio Nilo. Por isso o ar fresco vindo de baixo e tantas plantas que cresciam naquele redor. E de Saccara até o Rio Nilo tem uma boa distância!

Era bastante agradável sentir aquele frescor no rosto e no corpo depois de sair de um ambiente onde o ar era muito seco.

O poço era feito todo em pedras médias, encaixadas milimétricamente uma nas outras, com amarração. As pedras não eram cortadas eram ao natural. Imagino que encontradas soltas em abundância no local. Um homem normal de hoje poderia levantar uma pedra daquelas. O poço era bem largo, diria uns 10 metros. Não dava pra ver tal a profundidade mas imagino haver água no seu fundo. Ao redor das paredes nas junções entre as pedras, cresciam em tufos alguns tipos de plantas. Característica de lugar com água, tinham algumas com as costas das folhas levemente azul prata. Não tinham avencas.

Após ter olhado todo aquele trabalho em pedra, as rédeas nas minhas costas informavam que tínhamos que seguir. Duas batidinhas de leve, eram para seguir. Só faltou ouvir o som vindo da boca do cocheiro.

Muito facilmente achei outro rizoma para por meu pé e assim fui descendo usando uma única mão para me segurar. Os participantes do grupo iam também repetindo os mesmos movimentos e colocando os pés nos mesmos lugares após os meus. Tudo sem problemas e muito lindo na vivência.

Teve uma hora que ouvi Iriam reclamar: – Ai meu Deus será que vou conseguir?

E Arína dando risada de toda a situação disse: – Onde fui amarrar o meu burro?! Risos…, risos…, risos…!

Élida gritou: – Indiana Jones é ficha! E todos caíram na gargalhada.

Adoro presenciar o bom humor do grupo nos momentos mais difíceis ou muito diferente para eles. Eles são fantásticos e unidos entre si! Com certeza trazem este perfil de outras vidas.

Segui em frente na descida, talvez uns vinte metros de distância da boca do poço, e percebi que no lado voltado para Saccara havia um túnel. Cheguei mais perto, de lado, para observar melhor. Notei que na frente do túnel se encontrava um patamar de apoio. Foi ali que coloquei meu pé, apoiando em seguida o corpo todo. Num único pulo estava dentro do túnel!

O túnel horizontal ia no sentido da pirâmide de Saccara e sua boca era mais larga. Só depois é que ele afinava para o espaço folgado de uma pessoa na altura como a minha. Medi o espaço a mais em palmos.

Esperei todos entrarem, Tiago que veio na frente de Élida, a ajudou em dar aquele impulso com o corpo para cair no aparador, com segurança.

Tudo bem? Perguntei.

– Sim! Ouvi as respostas.

Segui em frente porque já tinha sentido as rédeas nas minhas costas. O túnel dava para enxergar bem, tinha uma leve luz na cor amarelada que não sei de onde vinha. O piso tinha um pouco de areia, o que imaginei pessoas que circulavam por ali.

As pedras que formavam aquele túnel pareciam ser as mais antigas e elas estavam gastas nos encaixes. Continuei andando.

Andamos muito, pelos menos uns dois kilometros.

De repente o cenário mudou! Terminou o túnel estreito e me deparei com outro túnel mais largo e novo. Era em formato semi-lua e bem mais alto. O piso tinha uma cor escura, auto brilho, com placas sentadas em tamanho quadrado grande.

Um ambiente extremamente limpo, com aspecto de novo, nenhum grão de areia solto rodando naquele ambiente. A iluminação no teto era de lâmpadas frias de calhas em metro.

Observei também que esse novo túnel seguia em frente mas no momento estava bloqueado por uma porta em madeira grossa de lei. Entre a porta bloqueada e eu, à esquerda tinha uma subida em escadaria larga que vinha luz clara de superfície com barulho. Daquela abertura escutava vozes!

Já não gostei e torci o nariz! Não gosto do barulho emitido pela maioria dos humanos adultos. São hábeis em emitir sons guturais, é horrível!

Bom! Tinha que seguir em frente. Olhei onde pisar e três degraus com aspecto de muito antigo me fizeram descer e ficar parada observando as duas diferentes arquiteturas que gritavam ante meus olhos.

O grupo todo saiu do antigo, silencioso e agradável túnel, e se postaram atrás e a minha direita. O grupo queria correr e ver onde aquela escadaria larga e barulhenta ia dar mas estendi meu braço direito em angulo de noventa graus, impedindo-os. Vendo meu movimento sem soar nenhum som, aquietaram-se e passaram a acompanhar o que eu observava.

Observei no velho túnel que acabávamos de sair como fora construído. Sem sombra de dúvidas que era um túnel mais antigo que a pirâmide de Saccara. Seres vindo de outro planetas mais evoluídos teriam deixado ali suas marcas. Uma turma antes de Imhotep!

Percebi também que além da porta bloqueada tinha um salão de recepção e haviam dois homens de terno preto como os de hoje. Conversavam de assuntos a respeito do trabalho que ali era desempenhado. Uma espécie de recepção com secretaria, juntas.

Eles não me viram!

O túnel novo seguia em frente e se dividia em diversas salas de trabalho idênticas de departamento público. Vi também um homem de barba bem aparada vindo em nossa direção, a saída.

Ele era um empresário à negócios naquele lugar. Usava por cima da vestimenta um caftan masculino comprido, mangas longas, em listas média na cor preta e cinza. Por baixo tinha uma camisa social de manga comprida, alvamente branca. Passada à ferro quente à moda ocidental ou seja, tinha o vinco nas mangas. A calça era do terno em tecido de boa qualidade, com excelente caimento, na cor cinza. A cueca era samba canção de trama fechada em cambraia fina, modelagem antiga, alvamente branca.

Percebi também que era levemente barrigudo e senti que isso o incomodava mas tinha dificuldades em se controlar na alimentação que lhe apeteciam. Era um homem vaidoso e limpo!

Segurava na mão esquerda alguns documentos e verificava com a mão direita se estavam todos certos. Foleando-os.

Antes de atravessar o bloqueio do túnel me viu e diminuiu a rapidez das passadas. Veio andando ao nosso encontro e olhando nos meu olhos fixamente. Sustentei e segurei aquele olhar, em parte também porque era uma estampa de homem bonito!

Quando chegou perto de nós sem parar se direcionou para a escadaria de saída fazendo de conta que não tinha visto ninguém. Aproveitou e arrumou seu lenço de cabeça ao redor do pescoço. Ao subir as escadas, eu como toda mulher não pude deixar de segui-lo com os olhos e observar seus sapatos pretos bem engraxados.

Movimentei meu corpo até a escadaria de saída que deveria ter uns trinta degraus e me pus à subir. O clarão que vinha da superfície juntamente com o barulho me desagradavam mas continuei subindo.

Ao chegar deparei-me com um grande pátio e com dificuldades em enxergar, devido a intensa claridade.

– Nossa! Que surpresa, estamos em frente ao Museu de Louvre! Gritou Tiago, já estando ao meu lado.

– Jesus Amado! O que significa isso? Relatou Iriam.

– Estou espantada! Falou Bianca.

Élida, nem palavras tinha, só olhava ao redor.

– Então esse é o Museu tão falado, Louvre? Comentou Arína. – Nós vamos entrar aí também? Mara? Adorei andar pelos túneis! Comentou como sempre apressada.

– Calma. Respondi tentando me localizar.

Fiquei ali observando tudo ao meu redor. Olhei para a escadaria de dimensões diferentes que acabamos de sair em pleno pátio do Louvre. Isso era muito fantástico.

– A ciência terrena realmente tem dificuldades em saber falar sobre muita coisa e o povo muito menos! Essa frase saltou forte da minha boca!

Gostaria muito que a ciência pudesse observar mais as nuances dos fatos. Andamos um pouco pelo pátio e vi ao longe um beduíno abanando. Andava em uma direção que me era desconhecida. Parava e abanava. Novamente parava e abanava. Custei a entender que aquele abano era para mim. Por fim acabei retribuindo o abano em consideração ao meigo afeto daquele estranho por mim. Neste exato momento fui arremessada para meu corpo, sem solavanco.

Quando me dei conta que estava no meu corpo, na minha cama, na minha casa…e o abano era a despedida de alguém muito conhecido…, chorei. Chorei muito…, até meus olhos ficarem inchados! Não queria estar ali.

Minha casa é na energia de Pai/Mãe em Saccara!

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