19 OutMeu encontro com a música (Parte I)

Imagem ilustrativa - Original de ruler3kingdoms

Imagem ilustrativa – Original de ruler3kingdoms

Sempre gostei muito de ouvir música americana, Rock Music, mas nunca tive muito incentivo quando criança ou jovem, mesmo com meus lindos desenhos. Desenho bem desde muito pequena para uma autodidata. Mas nesta encarnação coloquei esse potencial novamente para adormecer.

A medida que Balneário Camboriú (SC) foi se desenvolvendo, a balada e a noite também foram acompanhadas por empresários trazendo bandas e Dj famosos.

A música que as bandas e Djs tocavam me fascinava!

Balneário Camboriú acabou se tornando uma cidade onde os Djs mais famosos do mundo vinham fazer suas turnês. Neste auge da música eclodindo na cidade meu filho se tornou adolescente, querendo acompanhar esta etapa musical em sua vida. E foi aí que também entrei podendo apreciar mais de perto os diversos talentos da música. Fui muitas vezes assistir boas bandas na noite da cidade. Nem sempre acompanhada do filho mas sempre era uma alegria muito grande assistir o show ao vivo.

O som da banda acompanhado de boa letra, alimentava meu espírito de tal forma que parecia estar renascendo novamente. Sempre fiz esporte, gosto de trilha, o que dava vantagem em ficar a noite toda pulando e cantando sem me cansar muito. Nunca gostei de bebida alcóolica e refrigerante, muito menos cigarro, mas quase sempre trazia de volta o carro das amigas alcoolizadas.

A noite é um mundo profano, tentador e que encontramos pessoas enterradas nos egos. Isso me incomodava, o ambiente, mas em cidade minúscula era o que se tinha se quisesse ouvir música ao vivo.

Teve um dia que ao chegar em casa e colocar a chave na fechadura, vi de canto de olho, um homem parado no meu lado direito. Parei o movimento da chave e olhei para ele. O reconheci!

Era John Lennon!

Ele não olhava para mim, só para o chão e estava numa postura física esperando a abertura da porta para que pudesse entrar. Abri a porta, a empurrei com a mão mas não entrei. Fiquei ali parada. Para testar mesmo!

Ele entrou, sem dizer uma palavra e no meio da sala sumiu no nada.

Que esquisito! Rapidamente pensei.

Entrei em casa, fechei, tranquei a porta e fiquei parada no meio da sala tentando entender a situação. Que frequência estava eu em atrair um espírito músico de talento como John conhecido no mundo todo, me acompanhando até em casa?

Cavalheirismo concluí logo que não era!

Imaginei a frequência energética onde estive. O que é uma pena, não deveria ser assim.

Na vez seguinte que fui para assistir uma banda eu o vi encostado numa parede escura. Ao reconhecê-lo, jogou um violão para cima de mim, virou as costas, e foi embora.

Fiquei p. da vida! Ele me assustou ao jogar o violão em minha direção.

Esse cara está de brincadeira comigo. Pensei!

– Seu palhaço! Gritei atrás. Como se adiantasse alguma coisa.

Por dez anos John fez isso comigo nos lugares mais diferentes possíveis em que estive. Mas em todos os lugares eu estava sempre só ouvindo música, sem ser ao vivo, ou vendo e ouvindo música ao vivo. Só mais tarde é que percebi que era a música o fio condutor. Ele nunca teve comigo uma conversa de adulto explicando o que realmente queria.

Nos últimos anos assim que ele jogava o violão em cima de mim já não me assustava mais mas pegava o violão e jogava no chão (a energia é claro).

Um dia comecei a lembrar que logo que casei falei pro meu marido que gostaria de tocar violão. Ele me surpreendeu em ir numa loja de instrumentos e me deu de presente um violão.

Logo em seguida perto de casa fiz a inscrição para iniciar as aulas. No dia marcado ao chegar na sala de aula a família informou que o professor tinha morrido naquela madrugada. Saí do local impressionada com a notícia. Ele que atendera na inscrição e eu tinha me simpatizado tanto.

Fui para casa com a proposta de que outro professor ia assumir aquelas aulas. Éramos apenas dois alunos, eu e mais um moço.

Na semana seguinte, no horário marcado com o professor novo fui mais empolgada. Chegando lá fui informada que não teria aula devido ao professor de música novo estar hospitalizado. Tinha sido atropelado gravemente naquela semana e a previsão era no mínimo de três meses para retornar as aulas. Eu não conseguia dizer nada para aquela mulher, a viúva do primeiro professor que faleceu. Fiquei sem fala e a garganta trancou.

Saí mais impressionada e sem voz. Mas a viúva prometeu que arranjaria outro professor, algum amigo do finado e acabou sendo a aula transferida para a semana seguinte.

Voltei para a aula pela terceira vez no horário marcado e a viúva chorosa informou que o professor contratado havia telefonado pela manhã dizendo que resolvera voltar para a cidade natal. Estava indo embora da cidade naquele dia.

Eu escutei o relato de desespero da viúva que a meu ver também não estava entendendo muita coisa e disse: – Senhora! Eu não quero mais fazer aula de violão. Estou vendo que a compra do meu violão foi em vão. Obrigada por tudo.

Saí da pequena sala de aula escola, improvisada numa residência, em prantos. Chorei muito pelos acontecimentos na vida daquela mulher e pela minha decepção.

Quando solteira e me encontrava na casa paterna, sempre que queria inovar algo precisava fundamentar muito, tinha uma mãe do contra. Era muito desgaste de energia e com meu marido não precisei fundamentar, logo ganhei o violão de presente. Mas algo externo impedia minha ida ao estudo da música.

Bom! Chegando em casa guardei o violão! Hoje sei que guardei para sempre a música no meu inconsciente. E isso foi ruim, muito ruim. Fiz um registro negativo a respeito de aprender música.

Quando meu filho tinha onze anos de idade, ofereci o meu violão guardado com aulas, um bom professor e ele aceitou. Cuidei para que não tivesse o infortúnio que tive. Aprendeu rapidinho e por muitas vezes eu ficava ouvindo da cozinha ele treinar no quarto. Fiquei muito feliz mas logo ele não quis mais.

Despertou para a computação! Não teve jeito de conciliar e então desisti.

Guardei com todo cuidado novamente o violão, com tristeza.

De tempos em tempos o tirava do guarda roupa e colocava na sala em cima de uma poltrona mas logo guardava novamente. Até pensei em deixar pro meu netinho mas em momento algum imaginava eu tocando aquele violão.

Por volta de dois anos e oito meses atrás tive um palpite intuitivo que deveria conhecer a Federação Espírita em SP. Minhas amigas paulistanas me levaram até lá e circulei por alguns andares. Falei com alguns trabalhadores da radio e concluí que não gostei daquela energia. Os corredores do prédio exalavam um sentimento não virtuoso de decadência. Saí de lá decepcionada! Um prédio tão grande e com um sentimento muito ruim.

Não entendi meu palpite intuitivo e notei ao atravessar a Avenida que o local era rodeado de livrarias. Convidei as duas amigas que são leitoras vorazes como eu e lá fomos nós.

Muita leitura espírita mas ao perguntar para a vendedora alguma coisa diferente, ele indicou o livro mais vendido de Joanna de Ângelis. Não conhecia essa entidade mas segurei o livro em minhas mãos. Não senti nada mas a vendedora foi tão educada e gentil que acabei levando o livro. Já sabia que não ia lê-lo, mas sempre é um bom presente para alguém que não conhece nada da filosofia.

Fomos embora do local e eu vim embora para o sul e o livro ficou na cabeceira da minha cama. Alguns dias depois a noite sentei na minha cama com as costas apoiada na cabeceira e lembrei de pelo menos dar uma olhada no livro antes de passar para frente.

Li umas quatro páginas somente e vi uma moça que levitava entrar no meu quarto e parar no pé da cama. Era jovem, bonita mas usava um penteado a moda antiga. Era bem magrinha, miúda e muito leve. Diria meio angelical.

Perguntei mentalmente se queria falar comigo. Respondeu mentalmente que sim.

Sobre o que? Perguntei.

Sobre escrita. Respondeu.

Gostaria de escrever? Ela perguntou para mim.

Sim. A qualquer hora. Respondi livre, leve e solta.

Neste instante entra no quarto John Lennon, andando. Sobe em minha cama de casal e se deita do meu lado esquerdo. Apoia a cabeça confortavelmente no travesseiro, coloca as mãos em baixo da cabeça, cruza as pernas e fica olhando pro teto.

Mentalmente falei: – Escuta aqui o cara, eu sei que fosse um grande e famoso músico, compositor etc e tal. Mas a casa é minha, a cama é minha, detesto que deitem com roupa de rua em cima da roupa de cama limpa. E mais: posso saber o que estais fazendo aqui sem ser convidado, enquanto falo com a moça…?

Olhei para o pé da cama, ela não estava mais.

– A moça delicada não está mais! Cadê a moça?

Ela foi embora. Ele respondeu mentalmente.

Na hora fiquei brava!

É lógico que a moça foi embora, com a tua falta de educação interrompendo nossa conversa, ela só poderia ir embora mesmo! Retruquei.

Você precisa estudar violão. Falou pela primeira vez.

Nossa! O cara fala! Não acredito no que estou ouvindo! Escuta aqui o cara! Me virei de meio lado para poder olhar melhor para ele. Quem você pensa que é, para entrar na minha casa, deitar na minha cama parecendo marido e dizer o que tenho que fazer? Você teve a tua encarnação escolhida à teu modo e não sossegou enquanto não entrou nas drogas químicas. Enquanto o mundo todo aplaudia você lá fora o idiota se drogava. E tem mais: você sabe que as músicas não são suas e isso você conta na psicografia do seu amigo, no livro “Paz, afinal”. Lembra? Eu li! Um drogado que sempre jogou o violão em cima de mim, nunca teve uma conversa de homem. Vem até aqui dizer que eu preciso o que? Vai pro inferno seu merda! Aliás inferno é pouco, umbral é melhor! E vai saindo da minha casa, já!!!!!!!!!

Fiquei cansada de tanto falar o que me engasgava por todos aqueles anos.

Mal terminei de concluir a frase para esse homem pular fora da minha cama como um gato. Pelo menos me entendeu nítido e claro. Mas ele não ficou com os pés no piso como normalmente ficava. Ficou levitando, acho que de raiva, o suficiente para não bater a cabeça no teto.

Esperou minha fala e berrando disse: É isso mesmo! Por ter feito tanta merda, ter perdido tanto tempo e oportunidades que estou neste projeto tentando angariar pessoas de talento. Mas desta vez me enganei, estou insistindo com uma mulher burra! Está escutando? Burrrrrraaaaa! Gritou com toda força dos pulmões.

Meus mentores disseram que eu ia encontrar uma mulher inteligente mas estão enganados. Você é uma teimosa ignorante! Não vou mais insistir para aprender violão e tem mais…, vai pra p.q.p.!

E saiu atravessando a parede mas parte do corpo pegou a janela. Batia os calcanhares com força de raiva. Fiquei sentada mas gritei atrás: Não acredite nos teus mentores eles precisam primeiro fazer um curso com os meus!

Ficou um silêncio naquele ambiente depois dos nossos berros.

Jesus amado! Pensei. Ele foi embora mesmo. Mas que jeito estranho de orientar uma pessoa. Ficou dez anos jogando de surpresa um violão em cima de mim querendo dizer que tinha talento e precisava estudar música?

Uma simples conversa seria uma técnica orientadora fácil e com menos perda de tempo. Mesmo porque ele não teria problema em se comunicar comigo. Quem será mesmo o burro? Coisa de drogado ainda perturbado.

Após o desencarnar, o espírito continua levando seu nível de consciência que tinha quando encarnado. Se era drogado continua sendo um drogado, se foi ladrão continua sendo ladrão, assaltante continua assaltante.

Quando chegam nas colônias passam por um processo de cura temporária, recebem um tempo para repensarem na vida que levavam. Porque é só como encarnando e passando pelas mesmas situações tanto de drogado, ladrão e assaltante administrando as tendências, é que se curam. A cura ocorre somente quando encarnado, é por isso que fui tão exigente com ele.

Bom! Entendi a mensagem e corri buscar o vilão com alegria mas sem esperança. Por incrível que pareça uns dois dias antes fui fazer uma visita para uma amiga e perguntei ao filho dela, como estavam as aulas de violão. Sabia que o jovem estudava com um bom professor.

– Ele não vai mais, a mãe respondeu com todos na mesa comendo pizza.

– Mas porque Junior, se ias tão bem? Perguntei.

– Há. Me cansei! Respondeu com indiferença.

– Tens o número do telefone dele?

– Tenho sim tia. Respondeu e logo me passou.

Eu vim para casa coloquei o telefone do professor Celcinho na minha agenda.

Depois do episódio com John que foi numa quarta feira de abril, no dia seguinte cedo pela manhã liguei para o professor e marcamos o início das aulas para a segunda feira próxima às 8h00.

– O apartamento do professor é na parte norte da praia principal de Balneário Camboriú (SC), é longe e gosto muito de andar à pé. E assim fui, andando.

Seguindo pela calçada da Avenida Brasil, ao faltar um quarteirão para entrar na sua onde o professor mora, senti alguém na minha direita. Parecia estar me seguindo!

Em seguida olhei e reconheci! Era John Lennon.

No primeiro momento fiquei irritada. Ele estava de bota marrom clara surrada que ia até o tornozelo, calça jeans e cinto de couro. A camisa era de manga comprida mas por cima usava uma jaqueta preta de couro destonada, parecia suja.

Parei na calçada mesmo! Ele também parou um pouco mais à frente mas não me olhava nem falava nada.

Eu disse mentalmente: Só uma pergunta? O que estais fazendo aqui? Está me seguindo ou me perseguindo?

Estou te acompanhando. Respondeu baixo e apreensivo.

E para o que? Eu sei andar sozinha e conheço a cidade!

Deu uma meio risada, dessas tipo debochada que não aparecem os dentes e respondeu: estou verificando se estais indo mesmo na aula. E olhava para outros lugares menos para meu rosto.

Seu merda! Respondi muito brava. Sai de perto de mim! Não te dou o direito de me acompanhar fazendo papel de babá ou querendo mostrar serviço aos teus mestres. O inconsequente aqui é você, já esqueceu? Está me ouvindo?

Estou ouvindo sim. E também fiquei sabendo que és muito exigente e quando ficas brava parece uma onça pintada. Respondeu sem gritar com um ar de quem queria rir. E já se encontrava uns oito metros de distância de mim.

Acertou! Fiquei assim porque aprendi à duras penas, nesta região que os encarnados na sua maioria só aprendem na base do grito, berro, sofrimento, doença, muito remédio para o físico, falta de dinheiro e dor. É uma região de encarnados de pequena evolução. Não conseguem aprender com os exemplos alheios de luz. E você como um espírito que fez a mesma coisa com a tua vida, para mim, está no mesmo nível.

Continuei andando e ele se postou novamente ao meu lado direito.

Eu vi e gritei em voz alta no meio da calçada: Sai de perto de mim!!!!!

Já tinha dobrado a esquina e entrado na rua do professor. Uma funcionária de prédio varria a calçada, provavelmente zeladora, bem na minha frente.

Parou de varrer! Ela olhava pra mim provavelmente tentando entender eu sozinha gritando na calçada sem ninguém ao meu lado. Muito sem graça, dei um sorriso amarelo e levei a mão até a garganta.

– Meu professor passou exercícios para a voz. Faço canto e violão. Tentei explicar.

– Hummm! Ela respondeu e continuou varrendo a calçada.

Passei adiante da moça alguns metros e continuei falando alto a mesma frase: Sai de perto de mim!!!!!!!

E bem baixinho e olhando pro Lennon: Seu merda!

John já estava longe de mim no meio da rua se matando de rir da situação constrangedora que passava. Ria tanto que segurava a barriga. Apontava o dedo para a mulher, depois para mim e ria muito.

Já quase na frente do prédio do professor fiquei olhando ele rir com todos os movimentos do corpo. Ria com vontade, era gostoso de ouvir aquelas risadas de alegria. Naquele momento estava feliz.

Passou a minha vontade de dar um cascudo naquela cabeça de vento.

Fiquei ali parada esperando ele terminar.

Quando parou limpou a boca com a manga da camisa e ficou me olhando esperando alguma reação de irritação minha. Mas não me irritei, fiquei feliz, entendi que aquele espírito estava aprendendo comigo.

Está melhor? Fiquei muito feliz que as minhas atitudes engraçadas puderam desopilar teu fígado da cocaína. Era assim que deverias ser dentro dos Beatles. A regra é a seguinte, me ensina o teu melhor que eu te ensino o meu melhor. Juntos podemos evoluir mais rápido. Entendeu? Falei mentalmente. Entendeu mesmo? Falei em voz alta.

Balançou a cabeça como positivo.

Mas a mulher voltou a me olhar muito séria, parando novamente de varrer.

– Essa é a outra parte da música! Falei para ela, gesticulando com um dos braço.

Mas desta vez não deu certo, ela ficou parada me olhando tendo certeza que eu era doida. Resolvi não dar mais explicações, larguei a mulher pensando o que quisesse e continuei andando em direção ao prédio do professor.

A música era o meu foco!

Comments are closed.