14 FevConfeitaria

Sempre fui muito cobrada pela família sanguínea por não ter seguido o caminho profissional de confeitaria. Um trabalho comum e normal para encarnados. Ter optado pela terapeuta energética ou espiritualista, nunca entenderam. Mesmo porque desde pequena gostei da vertente em doces e sobremesas. Esses talentos foram tomando mais forma acentuada com os cheiros na cozinha, agarrada na barra do vestido da minha Oma, alemã. E que cozinhava muito bem tanto doces, pães e salgados.

É obvio que a família sanguínea assim como as pessoas de modo geral emitem opiniões a partir da vista do ponto de conceitos pautados na imagem e som oriundos da matéria. E dentro da matéria, aos olhos são acentuados o que mais conhecem e dominam. Ou seja a visão é baseada do ponto da evolução delas, não do outro. Abertura de consciência estreita. Orientar o outro a partir de si é apostar na incerteza. Sem dúvidas, teria sido muito mais fácil para mim, abrir uma confeitaria. Uma casa de doces para encarnados se deliciarem e atolarem o emocional. O ganho financeiro teria chego muito mais rápido e teria recebido mais elogios e compartilhamentos. Do que o constrangimento de muitas pessoas na cidade pequena me chamarem de bruxa e ou et. Perdi a conta das vezes que as senhoras mais ousadas me perguntavam “como vão os ets Dona Mara?” ou “retornou das férias este ano de que planeta?”. As menos ousadas não falavam comigo, por medo.

Mas meu Espírito mostrava outro lindo e colorido mundo. Ele não queria trabalhar em confeitaria, enchendo estômago de encarnado com emocional mau resolvido. Ter uma vida tola de cidade pequena, preso a um avental branco de rendas. Ele queria corricar pelos quatro cantos do planeta e fora dele também. Todas as noites Ele me levava em um lugar diferente e lindo. Hora eram cachoeiras, hora só montanhas verdes. Passávamos voando em brincadeiras rentes as copas das árvores. Em algumas vezes Ele trancava meu pé para que eu caísse. Caia rolando meu corpo pelo chão do ar. Muito delicioso se esparramar no chão do ar, sem as preocupações da matéria, oriundas dos egos de homens que estipulam cruéis regras. Outras vezes me levava para o deserto, onde só havia areia. Vórtices de forte energia onde a areia era sábia e em baixo a existência de ouro e água. Para encontrar alguns dos meu Mestres educadores. Adorava me levar para rever ou conhecer seres de forma física energética completamente diferentes dos que temos por aqui. Muito amorosos e meigos, era bem recebida por todos.

Sempre estava pronta para passear no mundo do meu Espírito que me puxava rápido pela mão. Saia em solavanco e dando risada. Mas logo ali na frente, quem dava o solavanco Nele, era eu. Riamos juntos e de nós mesmos. Ele queria voar…voar…voar muito e mais rápido que a velocidade da luz. Mostrava tudo com alegria e entusiasmo todas as cores e suas matizes existentes entre os planetas. Proporcionou encontros com antigos Mestres educadores que tive em outros tempos. Que contaram e mostraram histórias além das histórias escritas na bíblia. Quanta inverdade foi contada para os homens de boa fé, por homens de má fé. E que estão até hoje defendendo essas idéias falidas. E tudo por não terem acesso ao atemporal, que o meu Espírito todo o tempo tentava me mostrar.

Se resume mais ou menos ao que a minha família achava, dentro da estreita visão sobre a minha profissão. A força da energia de cobrança e pressão da família sanguínea sobre os membros, é uma coisa assustadora e devastadora. Se o líder do clã não for voltado com base para a energia da luz, o grupo todos passa por dificuldades sérias sem necessidade. E se o membro da família que está sendo pressionado não for forte para quebrar essa energia negativa, ele sucumbe literalmente. O Espírito é trancado em fortes grades de ferro chamado egos. E a próxima grande chance para esse moribundo de corpo físico se livrar das grades, é a encarnação seguinte.

É muito triste ver os mortos enterrarem seus mortos.

A mesma técnica as religiões e filosofias de vida, com meia verdade virtuosa, aplicam no coletivo. Perpetuando de geração em geração a fidelidade aos egos, registrando no inconsciente de cada pessoa através de jargões. E a família sanguínea de adultos que já tem os jargões registrados e estão em ação total, dá o ponta pé inicial em casa. Repassando para as crianças como cultura, religião e ou educação. Tipo: “dinheiro não dá em árvore” – “gay é coisa do demônio” – “homem não chora” – “ela é uma bruxa” – “lugar de mulher é na cozinha” – “mulher bonita tem que casar com homem rico”, etc.

Mas meu Espírito não queria essa dependência para mim. Quando retornávamos dos passeios Ele queria que eu rapidamente jogasse no papel a tinta. E com a caneta deslizando, correndo e correndo, relatasse a história em detalhes. Ensinou que não se deve escrever em papel com pauta. Papel pautado bloqueia a essência que é do Espírito, de se expressar livremente. E também não podia escrever subindo e descendo morro. Tinha que ser em linha reta e sem pauta. Foi difícil, mas aprendi. Batia muito na tecla: “líder não segue, é seguido”. Porque aprendeu a desenvolver a liderança no atemporal. Muito docemente mostrava a frase escrita nas paredes de casa. Meu Espírito jogava o conhecimento do universo à luz dos meus pequenos olhos, até quase me cegar. Ali me deixava jogada no chão da vida, sentindo a dor da queimadura da ignorância contida nos meus olhos.

– Para aprender, sempre é para aprender!

Quebrar egos dói! Mas a liberdade de poder estar nas oitavas superiores, vale a pena, o preço e o tempo. E em muitos outros momentos quando eu fazia bem as lições, entre o som de notas musicais que Ele vibrava, nossos braços se entrelaçavam num abraço de eternidade. Vivenciar o estado atemporal que é o passado, presente e futuro, em lugares diferentes, simultaneamente é indescritível!

E foi assim, dizendo inicialmente não, para as manipulações da minha família sanguínea, que meu Espírito teve forças de me conduzir por outra estrada. Um caminho mais florido, alegre e que acabou se tornando leve e livre. Foi o Espírito que me conduziu a ser uma terapeuta diferenciada. Atuando através Dele, sem limites. E que para isso tive que aprender o caminho irrestrito atemporal, atuando no temporal das leis de egos dos homens. Quando enfrentei os egos dizendo que tudo que eles apresentavam, nada me interessava, ele perdeu a força dentro de mim. E os medos também! Foi nesse momento que outras portas se abriram sozinhas e muita energia de luz veio ao meu encontro. Mas não cegaram mais meus olhos. Ao contrário, enxergava junto e através dela, era simultâneo.

Além de descrever meus passeios, a porta abriu para conduzir grupos em viagens terapêuticas, tanto nacionais como internacionais. Canto essa energia bendita e mantenho a Coletiva de Cura gratuita em SP. Todo esse trabalho maravilhoso que desempenho com satisfação e carinho, direciono sempre para o desenvolvimento do coletivo que tem medo de dizer: não!
Que sente insegurança em estender a mão à seu Espírito!

Com os vai e vem de uma viagem e outra, acaba-se encontrando as antigas e conhecidas pessoas da cidade. Porque o mundo é pequeno, redondo e teatral. Acabei encontrando depois de muitos anos as senhoras ousadas e para meu susto, todas estavam em situações muito ruins. Umas em profundo sofrimento pela solidão da viuvez, outras com problemas de filhos na droga. A maioria com processo de desequilíbrio emocional, surtando, falência financeira etc.

Fiquei triste em ter que assistir essas cenas. Entendi que não conseguiram dizer o não necessário para seguirem os seus Espíritos. Ficaram presas. A minha família sanguínea que me desculpe, mas não tinham discernimento necessário para escolherem qual profissão era melhor para mim.
Podem ficar com a confeitaria!

Meu Espírito sabia disso e eu estou feliz comigo por ter naquela época proporcionado a Ele, uma minúscula chispa de oportunidade. Para que Ele com aquele pedacinho pudesse agir, me reeducando e me curando.
Ele conseguiu expor a grandeza do meu Ser que é Ele mesmo.
Espírito! Eterna gratidão ao Teu trabalho comigo.
Te Amo!

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